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POLÍTICA

Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Donald Trump

Partido Democrata vence disputas pelo Senado e pela Câmara dos Representantes, avança em redutos republicanos e amplia poder de oposição ao governo; resultado também garante vitórias históricas em eleições estaduais

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O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato (midterms), realizadas na madrugada desta quarta-feira (4). O resultado, confirmado por projeções da agência Associated Press (AP) e de emissoras norte-americanas, representa uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano.

A vitória democrata altera a correlação de forças no Congresso e deve dificultar a agenda política de Trump nos dois últimos anos de seu mandato. Além disso, permitirá que a oposição amplie a fiscalização sobre o governo, conduza investigações parlamentares e tenha maior influência sobre decisões legislativas.

O avanço democrata chamou atenção principalmente pela conquista de cadeiras em estados tradicionalmente republicanos.

O partido venceu disputas para o Senado no Texas, Kansas e Carolina do Sul, além de obter resultados favoráveis em Iowa, Ohio, Maine e Carolina do Norte.No Kansas, a vitória representa um marco histórico: o estado não elegia um senador democrata havia quase um século. No Texas, a conquista também encerra um longo período de domínio republicano na representação do estado no Senado, que não elegia um democrata desde 1988.

Vitórias históricas nos governos estaduais

As eleições também produziram resultados inéditos nas disputas pelos governos estaduais. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira mulher negra a governar o estado.

Em Ohio, Amy Acton derrotou o republicano Vivek Ramaswamy, candidato apoiado por Trump, e se tornou a primeira mulher eleita governadora do estado. A vitória também encerrou 16 anos de domínio republicano no principal cargo executivo estadual.

Outras conquistas democratas ocorreram em Iowa e no Texas, onde Rod Sand e Gina Hinojosa venceram as disputas para governador, respectivamente, retirando os cargos do controle republicano.

Custo de vida e guerra no Irã pesaram na votação

O resultado eleitoral é interpretado como uma demonstração de insatisfação de parte do eleitorado com a administração Trump. Entre os principais fatores apontados estão o aumento do custo de vida, a inflação, as tarifas comerciais adotadas pelo governo e a condução da guerra contra o Irã.

A insatisfação com a economia e com os rumos do país favoreceu os candidatos democratas, que conseguiram avançar inclusive em regiões que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024.

Durante a campanha, o presidente republicano mobilizou apoiadores em diferentes estados e pediu votos para os candidatos de seu partido, transformando as eleições legislativas em uma espécie de avaliação de seu governo.

O que muda para Trump

Com o controle das duas casas do Congresso, os democratas terão mais instrumentos para dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca e ampliar a fiscalização sobre a administração republicana.

Na Câmara dos Representantes, a oposição poderá comandar comissões parlamentares, convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões e ações da administração Trump.

Já no Senado, a maioria democrata poderá dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo postos na administração federal e no Judiciário.

A mudança no Congresso não significa que Trump perderá todos os poderes presidenciais. O republicano continuará à frente do Executivo e poderá utilizar o poder de veto contra propostas aprovadas pelos parlamentares. O novo cenário, entretanto, deve tornar os dois últimos anos de seu mandato mais difíceis, com maior confronto entre a Casa Branca e o Legislativo.

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