O Carter Center elogiou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na administração do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado em 25 de outubro de 2026. A convite do tribunal, a instituição enviou uma missão de especialistas para acompanhar as eleições gerais. Em avaliação preliminar divulgada nesta terça-feira (27), destacou a rapidez na apuração dos votos e a organização do processo eleitoral.
Na avaliação do Carter Center, a eleição foi conduzida por servidores eleitorais profissionais e qualificados, em um processo organizado e transparente, com oportunidades de fiscalização por partidos e eleitores. A missão, porém, apontou que o sistema de reclamações e impugnações é complexo e que o pleito foi marcado por elevado nível de judicialização, com decisões inconsistentes ou contraditórias do TSE, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras instâncias.
Entre os episódios citados está a controversa prorrogação de duas horas no horário de votação, determinada após o encerramento da votação. O documento também menciona alegações de interferência e viés algorítmico nas plataformas da Meta. As investigações sobre o tema continuam pendentes.
Apesar das dificuldades operacionais provocadas pela alteração de última hora no horário de votação, o sistema eletrônico divulgou os resultados na noite do pleito. O relatório também destacou os esforços do TSE para combater a desinformação e informar eleitores sobre mudanças nos locais de votação, inclusive por meio de notificações enviadas pelo aplicativo e-Título.
A missão enviada ao Brasil era composta por quatro integrantes, incluindo especialistas da Alemanha, de Portugal e dos Estados Unidos. O grupo acompanhou aspectos específicos do marco legal eleitoral, da tecnologia de votação e da educação dos eleitores. O Carter Center ressalvou que, devido ao escopo limitado da missão, não fará uma avaliação abrangente de todo o processo eleitoral.
“Respeitar a vontade dos eleitores é fundamental para a democracia. Candidatos e seus apoiadores devem respeitar os resultados anunciados. Quaisquer alegações fundamentadas em evidências devem ser encaminhadas pelas vias legais estabelecidas”, afirmou Jennie Lincoln, assessora sênior para a América Latina e o Caribe e chefe da missão.
O relatório final com as conclusões completas será divulgado após o encerramento do processo eleitoral.
Questionamentos de Flávio Bolsonaro e aliados
O resultado foi alvo de críticas de Flávio Bolsonaro, de aliados do candidato derrotado e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Flávio anunciou que pediria a anulação da eleição, enquanto Trump afirmou que o pleito pareceu fraudado. Nenhum dos dois, porém, apresentou provas que sustentem acusações de fraude ou de irregularidades capazes de comprometer o resultado eleitoral.
Após determinação do ministro Alexandre Moraes de que entregasse seus passaportes, Flávio Bolsonaro acabou fugindo do país para os Estados Unidos. Investigado por irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” e lavagem de dinheiro com advogado Willer Tomaz, o senador havia dito que não saíria do país.

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