O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça admitiu, por meio de nota, ter encontrado o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, “uma única vez”. O magistrado disse ter se reunido com o banqueiro para tratar de ação sobre créditos de precatórios. O encontro ocorreu em março de 2025, antes de o ministro assumir a relatoria do caso Master na Corte.
A manifestação de Mendonça foi divulgada após a publicação do site “ICL Notícias”, que revelou que o advogado Ciro Rocha Soares enviou uma mensagem a Vorcaro discutindo um suposto encontro com o ministro.
Conforme a nota, a reunião ocorreu “por iniciativa do próprio empresário”. Mendonça afirma ainda que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, o ministro disse que atendeu também o advogado do empresário e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.
O ministro do Supremo enfatiza que foi contrário à posição defendida pelo ex-banqueiro.
“Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”, diz.
Quebra de sigilo
Nesta segunda-feira (1º), foram divulgados trechos de conversas extraídas a partir da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro, que é alvo das investigações da Operação Compliance Zero. A apuração investiga fraudes financeiras no Banco Master e ocorre a pedido de Mendonça.
Dentre as revelações, está a proximidade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O assunto abriu uma crise institucional, especialmente no sistema de justiça.
A investigação aponta, por exemplo, que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o Brasil. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu no último dia 15 de novembro.
As mensagens se estenderam até o dia anterior à prisão. “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”, perguntou Vorcaro ao interlocutor, que seria Moraes. “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.
A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro. Horas depois, Vorcaro foi detido no aeroporto.
O conteúdo, porém, não permite saber o que o interlocutor teria respondido. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro e o destinatário utilizavam mensagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas. Na extração realizada pela investigação, foram recuperadas apenas as mensagens enviadas pelo banqueiro.
A informação é do site Opinião CE.

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