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POLÍTICA

Eleitoras cobram mais protagonismo feminino: ‘independentemente da ideologia’

Entrevistadas ouvidas pelo Opinião CE defendem maior representatividade de mulheres nos espaços de poder, enquanto especialistas afirmam que diversidade fortalece a democracia

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O debate sobre a participação das mulheres na política não está restrito às universidades ou aos partidos. Entre eleitoras de diferentes posicionamentos ideológicos, há um diagnóstico em comum: a presença feminina ainda está aquém do desejado nas eleições cearenses de 2026. Embora divirjam sobre quais lideranças representam melhor suas convicções políticas, mulheres ouvidas pelo Opinião CE afirmam que a ampliação da representatividade feminina é um passo importante para fortalecer a democracia e ampliar a pluralidade dos espaços de decisão.

Esta é a terceira matéria de uma série especial de três reportagens do Opinião CE sobre a participação das mulheres na política partidária cearense e o cenário enfrentado por mais visibilidade. A primeira reportagem, que debate a eficiência ou não da cota de 30% para mulheres nos pleitos eleitorais, foi publicada na edição de terça-feira (4). Nesta quarta-feira, o Opinião CE refletiu como partidos concentram recursos em homens e limitam protagonismo feminino.

Uma eleitora identificada com a direita, que preferiu não ter o nome divulgado, considera pequena a participação das mulheres na política cearense. Ela afirma acompanhar os mandatos da hoje deputada federal e ex-vereadora de Fortaleza, Priscila Costa (PL) e da deputada estadual Dr. Silvana (PL), além de se identificar com propostas apresentadas por lideranças masculinas.

No cenário nacional, cita a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como principal referência feminina da direita, além de mencionar nomes como Damares Alves, Bia Kicis, Carol Detoni, Juliana Zanatta e Celina Leão. Ao comentar o cenário político do Ceará, a entrevistada avalia que ainda existem poucas mulheres ocupando posições de destaque.

“Queria poder votar em uma mulher”

Já uma eleitora de esquerda, que também preferiu não ser identificada, avalia que a representatividade feminina permanece insuficiente, especialmente quando observada em conjunto com outros grupos historicamente sub-representados. Segundo ela, a baixa presença de mulheres nas principais disputas eleitorais limita as opções do eleitorado. “Eu queria muito poder votar em uma mulher para governadora e poder votar em uma mulher de esquerda, porque não tem mulher.” Na avaliação da entrevistada, ampliar a presença feminina significa romper com estereótipos historicamente associados às mulheres e estimular novas formas de liderança.

Ela também defende que partidos de esquerda avancem na ampliação da participação de mulheres, pessoas negras e da população LGBT+, entendendo que essa diversidade pode contribuir para políticas públicas mais abrangentes. Entre as lideranças cearenses que acompanha, destaca a deputada estadual Larissa Gaspar (PT). No cenário nacional, cita a deputada federal Erika Hilton como uma das principais referências pela defesa da população trans.

Diversidade também passa por raça e identidade de gênero

A estudante de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), Alice Lima, mulher preta, trans e eleitora de esquerda, afirma que a pouca visibilidade das mulheres durante o período pré-eleitoral chamou sua atenção. Segundo ela, foi necessário buscar informações por conta própria para conhecer parte das pré-candidatas. “Eu até tive que pesquisar porque até agora a maioria dos candidatos que a própria mídia mostrou eram homens. Falamos sobre avanço, mas quando olhamos de perto ele é quase imperceptível. A maioria das candidatas nem é divulgada direito.”

Alice afirma acompanhar, no Ceará, a pré-candidatura de Angela Abuk e, nacionalmente, a atuação de Samara Martins, por considerar que ambas representam pautas com as quais se identifica. Mesmo avaliando que partidos de esquerda oferecem maior espaço para mulheres, ela entende que estruturas patriarcais continuam presentes. “A esquerda de hoje ainda é coberta por algumas camadas patriarcais que afetam nossos corpos. Ter um lugar de fala ainda é complicado, mesmo dentro da esquerda, mas acredito que hoje ela seja a melhor opção para nós mulheres, principalmente diante do avanço do conservadorismo.”

Para Alice, ampliar a presença de mulheres negras, trans e de outros grupos historicamente excluídos representa um avanço importante para que as instituições políticas reflitam melhor a diversidade existente na sociedade brasileira.

Mulheres seguem em posições estratégicas

Nas eleições de 2026, mulheres continuam ocupando posições relevantes em diferentes campos políticos. No espectro conservador, Michelle Bolsonaro permanece como uma das principais lideranças nacionais da direita, mesmo sem o apoio do Partido Liberal (PL) para disputar a Presidência da República, cenário que abriu espaço para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. No Ceará, a vereadora Priscila Costa segue entre os principais nomes femininos ligados ao campo conservador.

Independentemente do posicionamento político, pesquisadoras ouvidas pelo Opinião CE afirmam que ampliar a presença das mulheres significa fortalecer a democracia. Mais do que cumprir uma exigência legal, defendem que o desafio está em garantir condições para que candidatas tenham acesso aos espaços de decisão, disputem eleições em igualdade de oportunidades e exerçam efetivamente o protagonismo político.

A informação é do site Opinião CE.

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