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POLÍTICA

Comunicação e presença nas ruas podem fazer diferença na reta final das eleições, avalia estrategista

Leurinbergue Lima aponta desinteresse de 65% dos eleitores em pesquisas internas e afirma que candidatos com posicionamento consolidado podem se destacar na disputa de 2026

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A pouco mais de 10 dias das eleições de 2026, o estrategista político Leurinbergue Lima afirma que uma parcela significativa dos eleitores ainda demonstra pouco interesse pela disputa no Ceará. Segundo ele, pesquisas internas às quais tem acesso apontam que uma média de 65% dos entrevistados declara pouco ou nenhum interesse pela eleição.

Em entrevista ao Opinião CE, Leurinbergue afirmou que o cenário também é observado em outros estados. Segundo ele, os primeiros levantamentos foram realizados após as convenções partidárias e já durante o período eleitoral. Em alguns locais, conforme o estrategista, o índice de desinteresse chegou inicialmente a quase 80% e posteriormente recuou para cerca de 70%. “É mais ou menos essa a proporção do que tem acontecido. Mostra que o eleitor está pouco interessado [na eleição]”, afirmou.

O diagnóstico apresentado por Leurinbergue encontra paralelo em uma pesquisa pública divulgada recentemente pelo Instituto Quaest, que apontou 44% dos entrevistados com pouco interesse e 22% sem nenhum interesse pelas eleições de 2026, totalizando 66%.

A entrevista fica disponível no canal do YouTube do Opinião CE a partir das 10h desta quarta-feira (23).

“A classe política não dá respostas”

Na avaliação do estrategista, uma das razões para o baixo envolvimento do eleitorado é a dificuldade da classe política em apresentar respostas à população. Para Leurinbergue, os políticos precisam fazer uma “meia culpa” e rever não apenas o comportamento durante as campanhas, mas também a forma como atuam ao longo dos quatro anos de mandato. Ele aponta ainda a comunicação como um dos principais problemas da classe política. Segundo o estrategista, a dificuldade em comunicar ações e posicionamentos pode fazer com que o eleitor não consiga identificar claramente o que cada candidato representa.

“Quem se comunica bem, na minha visão, vai levar vantagem na urna neste ano. Quem já está posicionado, quem as pessoas já olham para aquela pessoa e a identificam com algo. ‘O candidato que trabalha com isso, que defende tal coisa, que é do lado A, do lado B’. Quem já está posicionado dessa forma vai levar vantagem”, acrescentou.

Segundo Leurinbergue, tentar construir esse posicionamento somente durante o período eleitoral dificulta a comunicação com o eleitor. “Eu garanto para você, não vai conseguir se posicionar. Pode até ganhar a eleição por outros fatores, mas não pelo fator da comunicação”, finalizou.

Estrategista classifica eleições de 2026 como “campanha fria”

Durante a entrevista, Leurinbergue também avaliou que as campanhas eleitorais deste ano estão mais frias, especialmente na disputa presidencial. Para ele, o modelo de campanha mudou significativamente nas últimas eleições, com redução de atividades tradicionais de rua e de mecanismos de mobilização utilizados no passado. “Quando eu comecei, há mais de 15 anos, as campanhas eram muito rua, podia fazer showmício, tinha brindes para dar para o eleitor, e isso foi sendo tirado ao longo do tempo”.

O estrategista também apontou mudanças na relação entre candidatos e redes sociais. Segundo ele, a expansão das plataformas digitais transformou a comunicação eleitoral, mas o alcance dos conteúdos políticos teria sido reduzido. Leurinbergue cita a evolução das campanhas digitais desde a popularização do Facebook, passando pelo Instagram e WhatsApp até o TikTok.

Em entrevista ao Opinião CE, Leurinbergue Lima classificou as campanhas de 2026 como “frias” e analisou o papel da comunicação eleitoral. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

“Tem uma campanha de internet? Tem, mas ela também foi reduzida”. Na avaliação dele, mudanças nos algoritmos das plataformas da Meta contribuíram para diminuir a exposição dos políticos aos usuários. “Por que a campanha de internet foi reduzida? Porque a Meta, que é a dona dos três principais veículos, Instagram, WhatsApp e Facebook, reduziu a forma com que o político vai aparecer para as pessoas. O algoritmo foi readaptado para aparecer menos para as pessoas”, apontou.

Violência também teria afetado campanhas de rua

Apesar da importância atribuída às redes sociais, Leurinbergue afirma que a redução do envolvimento eleitoral não pode ser explicada apenas pelo ambiente digital. Segundo ele, a violência também dificultou a realização de atividades de campanha nas ruas, fenômeno que, em sua avaliação, não se restringe ao Ceará. “Eu acredito que a violência também atrapalhou muito. As ruas hoje são um pouco perigosas, e isso não é uma coisa do Estado do Ceará”, disse.

Para o estrategista, a capacidade de mobilizar eleitores presencialmente pode se tornar um elemento relevante na reta final da disputa. “Poucos políticos têm condição de mobilizar, de trazer pessoas, de engajar pessoas na vida real, na rua. Não estou falando de gente contratada, de equipe, não, estou falando daquela pessoa comum, do eleitor.” Na avaliação de Leurinbergue, parte dos candidatos não estaria conseguindo realizar esse tipo de mobilização por falta de capacidade de levar eleitores às atividades de campanha.

A informação é do site Opinião CE.

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