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ELEIÇÕES

Aliada de Roberto Pessoa e investigada por fraude no INSS, Gorete Pereira usa tornozeleira e mantém apoio da família Pessoa rumo à Câmara Federal

A velha guarda representada por Gorete e a terceira geração da família Pessoa unem forças para garantir a manutenção de seus respectivos feudos políticos

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O cenário político do Ceará assiste a mais um capítulo onde o pragmatismo eleitoral e os interesses de dinastias locais parecem atropelar a moralidade pública. A trajetória de Gorete Pereira e Roberto Pessoa em Maracanaú — outrora marcada por uma robusta aliança que dividiu o controle do município por décadas — ganhou contornos de fisiologismo explícito com o recente apoio da parlamentar ao neto do prefeito, René Pessoa. Contudo, o pano de fundo atual da ex-deputada não é o palanque, mas sim os tribunais: apontada como peça-chave em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados, Gorete desafia a opinião pública ao registrar sua candidatura à Câmara dos Deputados em Brasília, mesmo usando tornozeleira.

O Velho Pacto de Poder em Maracanaú
 
Durante anos, o município de Maracanaú funcionou como um verdadeiro feudo político operado em sintonia por Roberto Pessoa no Executivo municipal e Gorete Pereira como sua embaixadora em Brasília. Essa engrenagem garantiu a manutenção de seus respectivos grupos políticos por meio da liberação de emendas e controle de redutos eleitorais.
 
Embora tenham protagonizado um racha feroz em 2018 pelo comando do antigo PR, o histórico de blindagem mútua falou mais alto. A reconciliação veio em formato de herança política: para pavimentar a entrada da terceira geração da família Pessoa no poder, Gorete declarou apoio formal à campanha do jovem René Pessoa, neto de Roberto. A aliança escancara como o pragmatismo e a sobrevivência política de velhas lideranças se sobrepõem a qualquer divergência ideológica passada.
 
O Escândalo do INSS: A “Articuladora” de Fraudes Bilionárias
 
A aparente calmaria dos arranjos familiares desmoronou em março deste ano, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Indébito. Investigações contundentes do Ministério Público Federal e da PF apontaram Gorete Pereira como a “articuladora política” de uma organização criminosa especializada em aplicar descontos ilegais diretamente nas pensões e aposentadorias de beneficiários do INSS.
 
O esquema utilizava empresas de fachada e propinas para lesar justamente a parcela mais vulnerável da população. Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a gravidade dos indícios resultou na imposição de duras medidas cautelares: 
 
  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para monitoramento integral.
  • Recolhimento domiciliar noturno compulsório.
  • Afastamento imediato das atividades e funções na Câmara dos Deputados.
  • Apreensão de passaportes e proibição total de contato com outros investigados. 

A defesa da parlamentar alega inocência e afirma que sua trajetória é pautada pela integridade, mas o peso das evidências colocou seu nome no centro de um dos episódios mais vergonhosos da história política recente do estado. 

O Escárnio das Urnas: Candidata sob Monitoramento Judicial

Apesar de carregar o estigma do monitoramento eletrônico e de estar formalmente afastada de seu exercício parlamentar em Brasília, Gorete Pereira e a cúpula do MDB cearense decidiram ignorar o bom senso. Em convenção partidária realizada em Fortaleza, o partido homologou oficialmente o nome de Gorete como candidata para retornar ao Congresso Nacional nas eleições de outubro.

A estratégia de se manter na disputa mesmo sob investigação criminal evidencia a busca incessante pela manutenção do foro privilegiado e a tentativa de usar o recall eleitoral de Maracanaú para limpar, por meio dos votos, uma imagem manchada pela crônica policial.

Para o eleitor restará o veredito de chancelar ou rejeitar um projeto político que caminha lado a lado com o banco dos réus.

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