O que vale mais em Maracanaú: a saúde do paciente ou o número na planilha? Uma denúncia grave sacudiu os corredores da saúde municipal neste início de 2026. Segundo o Sindicato dos Médicos do Ceará (SIMEC), os profissionais da rede municipal estão sendo submetidos a uma “meta mínima” de 300 atendimentos mensais. Caso não batam esse número, o salário integral não cai na conta.
Essa política de “produção” transforma o consultório médico em uma linha de montagem. Para atingir 300 atendimentos em um mês, o médico precisa reduzir drasticamente o tempo de cada consulta. O resultado é o que muitos pacientes já sentem na pele: o atendimento “vapt-vupt”, onde mal dá tempo de sentar e explicar os sintomas antes de receber uma receita genérica.
Essa estratégia é o auge do sistema que discutimos: ela gera números bonitos para os relatórios da prefeitura — que poderá dizer que “atendeu milhares” — mas esconde a baixa qualidade do serviço. Além disso, o SIMEC também aponta atrasos constantes nos pagamentos de médicos que atuam via cooperativas no Hospital Municipal, o que gera uma rotatividade imensa de profissionais. O médico que não recebe ou que é pressionado como um operário de fábrica acaba saindo da cidade, e quem fica sem o especialista, mais uma vez, é o povo de Maracanaú.
A saúde não pode ser tratada como a produção de uma fábrica de calçados no Distrito Industrial. Enquanto o lucro e a meta forem os únicos indicadores de sucesso, a cura continuará sendo um artigo de luxo na nossa cidade.
Fontes:
Denúncia sobre metas de 300 atendimentos: SIMEC – Denúncia Maracanaú 2026
Atrasos salariais e precarização: Sindicato dos Médicos – Crise no Hospital de Maracanaú

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